Olhar Certo / 29/03/2019 / Doenças oculares

Saiba como funciona o transplante de córnea!


Milhares de pessoas em todo o mundo sofrem com a perda de visão ou com a cegueira. No entanto, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO),
74,8% desses casos podem ser prevenidos ou curados. Infelizmente, no Brasil não há a cultura da prevenção e, por isso, a segunda opção é a mais vista nos consultórios oftalmológicos. Diante disso, é preciso entender o que é o transplante de córnea e como ele está relacionado com o tratamento e solução para algumas dessas patologias.

As doenças da córnea são uma das principais causas de cegueira reversível no mundo. Segundo informações da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgão), mais de 15 mil pessoas fizeram o transplante no ano de 2017 e outros 9 mil pacientes ficaram na fila de espera até o mês de dezembro daquele mesmo ano. Esses números são bem expressivos e ilustram o crescimento na procura por esse tipo operação.

Entretanto, antes de tomar qualquer medida com relação a cirurgias e tratamentos, é preciso primeiro buscar informações e um oftalmologista capacitado e experiente. Confira abaixo o texto que preparamos sobre o transplante de córnea, suas implicações e características.

Qual a importância do transplante de córnea?

A córnea é uma camada fina e transparente localizada na parte anterior dos olhos. Ela é a primeira camada na qual a luz atravessa, então responsável por parte do trabalho de focar a imagem. Ela não tem vasos sanguíneos e o líquido lacrimal é o responsável por sua nutrição e lubrificação. A visão fica comprometida quando existem alterações em sua curvatura, regularidade ou transparência.

A visão é um sentido imensamente importante para muitas áreas da vida, que vão desde a realização de tarefas simples do cotidiano até ofícios complexos que exigem precisão. Ou seja, a sua deficiência impacta negativamente na qualidade de vida e pode ser responsável por grandes frustrações. Assim, quando essas patologias que afetam as córneas são severas, o transplante pode ser necessário para que essas atividades possam ser realizadas novamente com naturalidade e propriedade.

Esse procedimento tem bons índices de sucesso e garante uma melhora significativa na vida do paciente tendo em vista que a visão pode ser retomada. Assim, a maior vantagem ao realizá-lo é poder reverter uma condição que seria extremamente penosa no cotidiano da pessoa e oferecê-la, então, a possibilidade de voltar a ter uma rotina comum.

Em quais casos o transplante é indicado?

Primeiro, é preciso entender que nem sempre o transplante de córnea é indicado. Em boa parte dos casos, a simples visita periódica a um oftalmologista de confiança pode detectar bem cedo o aparecimento de irregularidades na córnea e, então, realizar um tratamento preventivo para evitar o avanço da doença e as suas consequentes adversidades. Ou seja, a prevenção ainda é, na maioria das vezes, a melhor solução.

A necessidade de uma intervenção cirúrgica aparece quando o estágio da patologia está mais avançado e as irregularidades no formato e na transparência da córnea chegaram ao ponto de prejudicar gravemente a qualidade da visão. Nesses casos, somente a substituição total ou parcial da córnea doente por uma saudável será capaz de recuperar a capacidade de enxergar. De forma geral, o transplante normalmente é indicado nos seguintes casos:

·         perfurações oculares;

·         infecções nos olhos;

·         edema da córnea (inchaço);

·         queimaduras (podem ser térmicas ou químicas);

·         ceratocone;

·         doenças metabólicas (diabetes) ou degenerativas;

·         distrofias.

Como entrar na fila de espera?

 

Para entrar para a fila de espera de transplante é preciso, primeiramente, consultar-se com um oftalmologista competente para obter o diagnóstico e verificar a real necessidade de uma intervenção. Somente ele será capaz de realizar os exames necessários para verificar o quadro do paciente e se trata-se de um quadro de fato cirúrgico. 

Então, comprovada a necessidade, ele encaminhará uma ficha de inscrição com a solicitação de uma córnea para a Central Estadual de Transplantes. É por meio dessa instituição, também, que será possível se informar sobre a posição de uma pessoa na fila, a qual é organizada de forma cronológica de acordo com a data do pedido.

Como é feita a cirurgia?

 

Como já falamos, tudo se inicia na consulta médica. Após a realização de diversos exames, o profissional indicará a necessidade (ou não) da cirurgia. Ela será total (penetrante) ou parcial (lamelar), de acordo com o diagnóstico. O paciente, então, será cadastrado na fila de espera por um doador e aguardará a sua vez de receber o transplante.

Chegada a hora, ele será submetido ao procedimento cirúrgico, que poderá ser realizado pelo SUS ou por um médico particular. A anestesia pode ser local ou geral, de acordo com o caso em específico, e a duração de toda a operação leva, aproximadamente, uma hora. Apesar de ser simples, ela é muito delicada e exige a utilização de um microscópio para a sua execução.

A técnica consiste em retirar de forma total ou parcial a córnea doente e substituí-la por uma saudável. Depois, de acordo com cada caso, haverá a necessidade de fazer uma sutura com um fio de nylon bem fino, embutindo os pontos de forma a causar menos dor e desconforto no pós-operatório. Quando há o transplante apenas de partes da córnea, a recuperação é bem mais rápida e tranquila, ao passo que a substituição total pode necessitar de mais cuidados.

Quais são os cuidados de pós-operatório?

A intervenção é tranquila e o paciente já é liberado algumas horas após a sua conclusão. No entanto, ainda é preciso tomar muito cuidado nos próximos dias e seguir à risca as orientações do pós-operatório para que a visão seja recuperada e não haja rejeição. Primeiro, o olho no qual ocorreu o transplante receberá um curativo, que será retirado na primeira visita ao oftalmologista após a operação. Ele será removido pelo médico, que também avaliará a sua recuperação.

Depois, o profissional receitará alguns medicamentos que deverão ser administrados da forma prescrita para deixar sob controle as infecções, os inchaços e a dor. Além disso, é ideal manter-se em repouso no dia da cirurgia. Já nos dias subsequentes, o retorno às tarefas deve ser lento e não é aconselhável a realização de atividades pesadas. A melhor posição para dormir é aquela com o corpo de lado, na qual a face contrária à cirurgia esteja para baixo.

Quais sãos os riscos de rejeição e seus sinais?

Os casos de rejeição não são frequentes. No entanto, como em qualquer tipo de cirurgia, não há garantia de sucesso e algumas adversidades podem, infelizmente, ocorrer. Por isso, durante todo o processo de recuperação, é preciso ficar muito atento aos sinais de uma possível rejeição ao transplante. São eles:

·         vermelhidão nos olhos;

·         fotofobia;

·         visão embaçada;

·         excesso de lacrimejamento;

·         dor na vista.

Em todos esses casos, é imprescindível que o paciente procure um oftalmologista quanto antes perceber os sintomas, pois, caso tratados na fase inicial, os resultados podem ser muito mais positivos. De forma geral, a recuperação tende a ser tranquila e relativamente rápida, ou seja, é possível ver uma melhora gradativa com o passar dos dias.

Como aumentar as chances de sucesso?

Os olhos são órgãos bem sensíveis e que demandam bastante cuidado, principalmente após um procedimento como o transplante. Por isso, mais do que apenas cuidados pós-operatórios, alguns hábitos podem ser muito positivos para o sucesso da cirurgia e até mesmo para a saúde dos olhos de forma geral. Alguns deles são:

·         evitar coçar os olhos;

·         comparecer aos retornos médicos;

·         fazer o uso correto dos medicamentos prescritos;

·         realizar a higiene adequada do rosto.

Como foi possível observar, o transplante de córnea é uma operação bastante realizada no mundo e tem bons índices de sucesso. No entanto, assim como outras cirurgias, envolve riscos e deve ser levada muito a sério. Por isso, é importante informar-se bem e consultar-se com uma clínica especializada para que o seu caso seja avaliado por profissionais competentes. Seguindo essas orientações, é possível aumentar ainda mais as chances de sucesso e melhorar de vez a sua qualidade de vida.

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